segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Violões no Bairro José de Abreu
O
programa deste domingo, 22 de dezembro, levado ao ar na Rádio
Sentinela FM, teve como convidada a presidenta da Associação dos
Moradores do Bairro José de Abreu, Elane Gomes.
Na
oportunidade, diversos temas relacionados às principais lutas e
conquistas daquela comunidade, localizada na zona sul da cidade,
cujos núcleos residenciais das Vilas Gamino, Piola e Renascer,
formam um complexo na região após o Trevo da BR 290.
Este
fato, inclusive, é uma das pautas: a necessidade de uma travessia
mais ágil e segura para os moradores e moradoras daquelas
comunidades, a maioria dos quais se desloca através de ônibus, a pé
ou de bicicleta.
O
Bairro José de Abreu conta com, aproximadamente, 700 moradores, se
tomarmos como referência a contagem populacional (dado a que tivemos
acesso), de 2007, quando ali residiam 692 pessoas, sendo 345 homens e
347 mulheres..
Já se
disse que este bairro é vizinho de três outras comunidades, a
saber, da Vila Piola (845 moradores), Gamino (560) e Renascer (192),
o que soma uma população total de 2.289 pessoas, das quais 1155
eram homens e 1.134 eram mulheres, tudo segundo a mesma contagem de
2007, promovida pelo IBGE.
Como se
percebe com facilidade, nestas localidades residem, em sua maioria,
trabalhadores e trabalhadoras, formais e informais, das mais diversas
categorias.
O tema
principal do encontro em nosso programa de rádio, entretanto, foi o
projeto Oficinas da Solidariedade, pensado e planejado na gestão
anterior, presidida pelo reconhecido líder comunitário Ramiro
Camargo, tendo na assessoria Luciano Leães, hoje acompanhando e
coordenando a sua execução, juntamente com a presidenta Elaine
Gomes.
Trata-se
de Oficinas de Música, nessa primeira etapa, com duração
aproximada de dois meses, com cursos gratuitos de violão para cerca
de 32 alunos e alunas, em faixa etária que varia dos 8 aos 18
anos.
Este
projeto é produto da aplicação de recursos captados via Fundo
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, com destinações
de parte do Imposto de Renda, no caso, da empresa AES Sul.
O curso
produziu sua primeira apresentação na noite de sexta-feira, dia 20
de dezembro, na sede da Associação do bairro, apresentação esta
acompanhada pelos pais e familiares, integrantes da equipe de apoio
da Secretaria de Assistência Social do município, além dos membros
do Programa e do blog Centelha do Pampa, Gilmar de Lima Martins e
Virgínia do Rosário.
Segundo
informou a presidenta Elaine Gomes, até o próximo dia 07 de
janeiro, haverá um breve recesso, quando será retomado, inclusive,
com a ampliação do projeto, que passará a ministrar aulas de gaita
e bateria, já adquiridas pela associação.
Também
foi informada pela líder comunitária que a Associação já
providenciou a instalação das redes elétrica e lógica que
permitirão – caso os computadores recebidos estejam em condições
de uso – o funcionamento de aulas de informática e a constituição
de um telecentro, na sede da entidade.
Com
este exemplo, acompanhado por nossos colaboradores aqui do blog e do
programa Centelha do Pampa, fica evidenciado o quanto é possível
mobilizar e organizar as comunidades de bairros de nosso município
em projetos estruturais, que vão além da capacidade, já largamente
demonstrada, de luta por melhorias na infra-estrutura dessas
localidades, tais como arruamentos, calçamentos, redes de água,
energia, saneamento, transporte coletivo, escola, posto de saúde.
É
possível e necessário combinar tais lutas e conquistas, pelo
direito ao lazer e à cultura, como direitos humanos fundamentais.
Além
do mais, prova que as possibilidades de criação são inesgotáveis e suas
raízes são profundamente populares.
domingo, 8 de dezembro de 2013
O ESCRAVO COMO SUJEITO HISTÓRICO
Este,
em síntese, o núcleo da proposta a partir da qual da qual o
professor e historiador alegretense Márcio Sônego, mestre em
história pela PUC-RS, elaborou sua pesquisa e fundamentou sua
dissertação, seja no ambiente acadêmico, seja no programa Centelha
do Pampa, deste domingo, 08 de dezembro, levado ao ar pela Rádio
Sentinela FM.
Programa
há tempos projetado, contou com a participação dos seus
apresentadores Gilmar de Lima Martins, João Auri Garcez e Matico
Vilaverde Coelho.
Inicialmente,
o convidado fez questão de apresentar, brevemente, os três grandes
momentos da hitoriografia brasileira no enfrentamento da temática da
escravidão no Brasil: o primeiro período, segundo ele, representado
pela obra de Gilberto Freyre, expressa em Casa Grande e Senzala, que
oferece uma visão branda daquele processo, propugnando pela
coexistência pacífica e até certo ponto harmônica entre senhor e
escravo, embora tenha tido o mérito de realçar a contribuição do
negro na formação do povo brasileiro.
Para o segundo momento ou fase da história, nos moldes apresentados
pelo entrevistado, sobressaem-se as pesquisas comandadas a partir da
Universidade de São Paulo, sob o patrocínio de Fernando Henrique
Cardoso e outros pensadores, cuja proposta e análise enfatizam o
caráter violento da escravidão e afirmam o negro principalmente
como vítima daquele processo, negligenciando, no seu entender, as
lutas e o protesto mesmo sob as difíceis condições vividas.
Por
último e em terceiro lugar, referiu-se ao surgimento, a partir da
década de 90, especialmente influenciada pela emergência dos
movimentos negros e sua contestação ao 13 de maio e o ato oficial
de abolição da escravatura, cujo centenário ocorrera em 1988, de
uma nova corrente historiográfica, intitulada Nova historiografia
social, cuja análise vai apontar o processo de luta e resistência
dos negros, inclusive, no cotidiano, mediante formas bastante amplas
e complexas, que combinaram o recurso a brechas legais, acordos com
os senhores, utilização de pecúlios em dinheiro, adotadas pelos
negros para a conquista de suas liberdades, antes mesmo de 1888.
Disse
que sua pesquisa partiu de uma constatação: a invisibilidade do
negro na história local e regional, seja no trabalho das pessoas que
se dedicam, ainda que fora dos padrões acadêmicos, a produzir
pesquisa histórica, seja na produção e difusão de livros
didáticos, realidade essa completamente divorciada do vivido e
experimentado nas relações sociais diárias em nosso município e
região.
Desse
paradoxo, a existência e permanência do negro, suas inegáveis
contribuições à formação do povo brasileiro, e a sua
invisibilidade nos registros e pesquisas históricas em âmbito local
e regional, brotou esse trabalho cuja pesquisa envolveu a leitura de
centenas de cartas de alforria, em exaustivo trabalho no Arquivo
Histórico do Rio Grande do Sul, iniciado em 2006 e concluído em
2009.
Durante
o programa, o historiador afirmou que essa visão nova da
historiografia não nega a existência de
violência cometida contra os negros, nem deixa de reconhecer que os
mesmos foram vítimas naquele processo. Todavia, sustenta que tal
visão não é suficiente para compreender a complexidade das
relações estabelecidas e, principalmente, porque tais visões
acabam por negar aos negros o papel de sujeitos históricos, trabalho
que se busca resgatar com essa orientação teórica e metodológica.
Um
ouvinte, senhor José Luiz Fonseca, residente na Vila Airton Sena,
manifestou-se pelo telefone, dizendo que ainda persistem sinais da
exclusão e discriminação em relação aos negros e que isto
precisa ser superado, cumprimentando o programa pelo debate
realizado.
O
programa foi dedicado à memória do líder sul-africano Nelson
Mandela, falecido no último dia 06 de dezembro.
Na
trilha musical, o hino do Congresso Nacional Africano, partido e
movimento que liderou, junto com Mandela, a supressão do regime
racista do Apartheid, na África do Sul, interpretado pelo grupo
musical Batacotô e Sol negro, intepretação de Virgínia Rodrigues
e Milton Nascimento.
As
fotos, sob responsabilidade do camarada Matico Vilaverde, ilustram
momentos dessa nova edição do programa Centelha do Pampa, que se
consolida como um espaço de debates, informais é verdade, mas sem
deixar de fazer abordagens sérias sobre temas da realidade política
e cultural de nosso município e região.
Gratos,
mais uma vez, pela companhia de ouvintes e leitores/as.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS
A frase ao fundo até pode dizer que é doce morrer pela pátria.
Mas não é preciso que se morra de AIDS.
Esta é uma doença evitável.
Nossa solidariedade a este DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS: aos portadores do vírus e a todos e a todas, aqui em Alegrete, que fazem de cada dia do ano um combate permanente a esta doença.
domingo, 1 de dezembro de 2013
CONSCIÊNCIA NEGRA
Neste domingo, dia
01/12/2013, nosso programa Centelha do Pampa teve como convidado o
professor da rede municipal de ensino, João Pedro Fernandes,
histórico militante do movimento negro, dirigetTe sindical e ativista
político.
Durante o programa,
analisou com profundidades aspectos relacionados ao longo e ainda
persistente processo de discrimiação racial promovido contra a
população negra em nosso país, com óbvios reflexos em nosso
município.
Dentre estes aspectos
analisados, referiu-se aos indicadores de violência, encarceramento
e homicídios, cujos maiores índices são verificados exatamente em
relação à população negra, especialmente, seus extratos mais
jovens.
Também se reportou a
questões do modelo de ensino, das dificuldades de se implantar, de
forma efetiva, na rede pública, as disposições da Lei 10.639/03,
que altera a Lei 9.394/96 ( a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional) para incluir a obrigatoriedade da temática "História
e Cultura Afro-Brasileira" no currículo oficial do ensino
fundamental e médio.
Fez referências a
aspectos específicos de como o racismo se manifesta e se manifesta
em nossa cidade, citando a existência, num passado não muito
distante, de clubes sociais que proibiam a entrada de pessoas negras,
as pressões contra a concessão de benefícios sociais a pessoas de
baixa renda, a exemplo das constantes críticas efetuadas ao programa
bolsa família, entre outros exemplos.
Além disso, outros
temas foram debatidos, tais como algumas doenças que afetam mais a
população negra, reportando-se à anemia falciforme, entre outras.
Pretende-se retomar este debate, convidando para um próximo o programa o professor e historiador, Márcio Sônego, que estuda e pesquisa sobre o tema escravidão em Alegrete.
A bancada do programa
esteve completa|: Gilmar de Lima Martins, João Auri Garcez e Matico
Vilaverde.
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